Síndrome do Espasmo Hemifacial

Espasmo hemifacial é o nome usado para caracterizar uma doença na qual contrações musculares involuntárias periódicas ocorrem em um dos lados da face, levando a modificações da expressão do paciente no lado afetado.

Geralmente os espasmos se iniciam nos músculos das pálpebras e, gradualmente se espalham para boca, fronte e região maxilar do mesmo lado. Atinge igualmente ambos os sexos na quarta e quinta décadas da vida.

Por que ocorre o espasmo hemifacial?

O Espasmo Hemifacial ocorre devido ao contato de um vaso (geralmente vértebro-basilar), levando à compressão mecânica do nervo facial, na região do cérebro chamada ângulo ponto-cerebelar. A compressão do nervo facial produz duas alterações distintas. Primeiramente, com o tempo pode ocorrer lesão desse próprio nervo, com enfraquecimento dos músculos faciais.

Em segundo, ao haver contato do vaso com o nervo facial, ocorre estímulo constante levando às contrações musculares involuntárias de um dos lados da face. Em uma pequena porcentagem dos casos, a causa do Espasmo pode ser um tumor benigno localizado na fossa posterior. Existe portanto a necessidade de realizar exames radiológicos como tomografia computadorizada ou ressonância magnética em todos os pacientes.

Tratamento

Pacientes portadores de Espasmo Hemifacial consultam inúmeros especialistas, na procura de diagnóstico e tratamento. Muitos já tentaram diversos tipos de tratamento clínico como: relaxantes, calmantes, vitamina B, homeopatia, acupuntura.

Todos sem resultados. Outra modalidade de tratamento é a cirúrgica. Uma das cirurgias mais eficazes recebe o nome de "procedimento de Jannetta". Consiste na descompressão vascular intracraniana do nervo facial.

Foi descrito sucesso em 88% dos casos com recidiva em 10%. Existem porém, complicações sérias como; perda da audição (8-13%), paralisia facial permanente, infecção do ouvido, meningite, hemorragia intracraniana, epilepsia e até óbito. Injeções de Toxina Botulínica Tipo A são bastante efetivas no controle do Espasmo Hemifacial e tem sido adotadas como tratamento de primeira escolha por diversos especialistas.

Toxina Botulínica Tipo A

A Toxina Botulínica Tipo A recebe o nome comercial de Botox ou Ocullinum, medicamento desenvolvido desde 1982 pelo laboratório americano Allergan. Foi liberada para uso clínico pelo "Food and Drug Adminstration" nos EUA em 1989, após 7 anos de pesquisas em animais e também em humanos. Milhares de pacientes já foram tratados mundialmente com Botox, todos portadores de espasmos musculares. No Brasil a droga foi liberada para uso médico pelo Ministério da Saúde em 1992.

Ela tem se mostrado eficaz em quase todos os casos. É uma neurotoxina , produzida pela bactéria "Clostridium Botulinum", e foi usada inicialmente no tratamento de casos especiais de estrabismo. Ela atua nas terminações neromusculares, paralisando parcialmente o músculo da região tratada. A droga é aplicada na região subcutânea das pálpebras superior e inferior, supercílios, músculos da face e outros lugares necessários.

Ela produz melhora sensível do quadro clínico e sua eficácia pode variar de 5 a 6 meses, quando faz-se necessária nova aplicação. A aplicação é feita no consultório em alguns minutos. O desaparecimento dos espasmos se inicia geralmente 2 a 4 dias após a aplicação.